Economia

Competitividade Económica e Inovação

Enquadramento Geográfico do Alentejo Central

A competitividade é um conceito que integra diferentes dimensões de análise da esfera empresarial e das políticas públicas, ao nível regional, nacional e internacional, comportando em si mesmo um leque complexo de indicadores de suporte que dão resposta a cada uma destas vertentes.

A análise da competitividade no Alentejo Central apoia-se num conjunto de indicadores de natureza macro e micro económica que possibilitam uma análise simultaneamente estrutural e conjuntural do grau de competitividade e inovação desta sub-região. Um desses indicadores-chave é o PIB que traduz a dinâmica económica global do território. À semelhança do que acontece com o Alentejo, o Alentejo Central registou um ligeiro crescimento dos valores do PIB entre 2006 e 2009, ano em que o seu Produto Interno Bruto representava cerca de 2.209 Milhões de Euros. O Alentejo Central segue deste modo a tendência regional e nacional de atenuado crescimento do Produto Interno Bruto, sendo inclusivamente de todas as NUTS III do Alentejo, a sub-região que apresenta o maior peso relativo no PIB, com exceção da Lezíria do Tejo, o que revela o papel desta sub-região no reforço da competitividade económica da Região Alentejo.

Distribuição do PIB regional, por NUTS III, em milhões de Euros


Fonte: Contas Regionais, INE

O Alentejo Central contribui ainda de forma significativa para o conjunto de sociedades e de empresas em nome individual da Região Alentejo (sem a Lezíria do Tejo), quando comparado com as restantes unidades territoriais, constituindo-se, deste modo, como um dos territórios com maior capacidade empresarial.

Empresas e Sociedades por NUTS III, em 2010


Fonte: INE: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2011

Esta sub-região contava em 2010 com cerca de 25.000 empresas e sociedades, o que corresponde a 24% do tecido empresarial regional (35% se excetuarmos a Lezíria do Tejo). Esta malha empresarial é integrada, para além das empresas de micro e pequena dimensão, por um conjunto de empresas de grande dimensão no contexto regional, sendo de destacar como setores mais dinâmicos a indústria automóvel, a indústria de componentes eletrónicos, a cortiça e derivados, as rochas ornamentais e o setor agroalimentar. Como setores emergentes no Alentejo Central identificam-se as tecnologias de informação e comunicação (TIC) e a aeronáutica, que já apresentam projetos e empresas com dimensão significativa e elevados níveis de competitividade.

Nº de Empresas e Sociedades existentes no Alentejo Central, por município da sede, 2010


Fonte: INE: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2011

No que respeita à dimensão da malha empresarial concelhia, Évora, Estremoz, Montemor-o-Novo, Reguengos de Monsaraz e Vendas Novas destacam-se dos restantes concelhos pelo facto de apresentarem um maior número de empresas sedeadas, sendo que Évora lidera de forma isolada este ranking, com uma densidade empresarial que é significativamente superior à dos restantes municípios em valores absolutos. A este facto parece estar associada a dimensão geográfica destes concelhos, o que induz à presença de maior número de empresas, assim como a dinâmica infundida por determinados setores de atividade económica, sendo de destacar, entre outros, a indústria agroalimentar.

A malha empresarial do Alentejo Central é constituída essencialmente por empresas de pequena e de muito pequena dimensão.

Estes dados demonstram que o tecido empresarial regional enferma de algumas fragilidades e ameaças, uma vez que as empresas de pequena dimensão, embora caracterizadas por uma grande agilidade e por uma rápida capacidade de redefinição das suas estratégias, enfrentam grandes dificuldades em vários domínios, como é o caso do acesso ao financiamento e da capacidade interna de desenvolvimento de atividades direcionadas para a internacionalização.

Nº de Empresas segundo o escalão de Pessoal ao Serviço por NUT III na Região Alentejo, 2009

​NUTMenos de 10 pessoas​10-49 pessoas​50-249 pessoas​250 e mais pessoas​
​Alentejo​63.2961.879​214​23
​Alentejo Litoral
​8.298​24938​1​
​Alto Alentejo
​9.013241​28​3​
Alentejo Central
​15.350408​46​5​
​Baixo Alentejo
​10.113210​18​2​
​Lezíria do Tejo
​20.522771​84​12​

Fonte: INE: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2011

Em termos evolutivos, a predominância de empresas de reduzida dimensão parece ser um fator de natureza estrutural que caracteriza o tecido empresarial do Alentejo Central. Efetivamente, a tendência evolutiva das empresas baseia-se no incremento e reforço das micro empresas em detrimento de empresas de maior dimensão, sendo que a malha empresarial sub-regional tem vindo a sofrer um crescimento sustentado, fator que pode ser indicativo de dinâmica económica, ao revelar índices cada vez mais elevados de empreendedorismo e de criação e desenvolvimento empresarial.

As taxas de natalidade, mortalidade e sobrevivência de empresas possibilitam uma análise microeconómica da dinâmica empresarial de um determinado território. A nível regional, haverá a destacar uma taxa de sobrevivência a dois anos que ronda os 50% para a totalidade das NUT III. Será ainda de realçar que em todas as unidades territoriais consideradas a taxa de mortalidade das empresas é sempre ligeiramente superior à sua taxa de natalidade. Sendo que os números agora apresentados reportam a 2009, não poderá considerar-se um forte efeito da atual crise económica sendo de considerar que este fenómeno se deverá ter acentuado nos últimos dois anos.

Taxas de natalidade, mortalidade e de sobrevivência (a dois anos) de empresas por NUT III da Região Alentejo, em 2009

Fonte: INE: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2011

Da análise mais fina do tecido empresarial da região do Alentejo Central, ressaltam algumas dificuldades enfrentadas pelos empreendedores que resultam de fatores de natureza estrutural como a baixa qualificação e envelhecimento dos recursos humanos, a dificuldade de articulação das estruturas de formação profissional com as empresas, a fragilidade do tecido empresarial (resultante essencialmente da pequena dimensão das empresas), a fraca capacidade e iniciativa empresarial e, por fim, a diminuta propensão para a internacionalização e inovação.

Essas falhas tendem a ser colmatadas, ainda que com limitações, por uma rede de instituições e associações que, a nível regional, prestam apoio a empreendedores e empresários no decurso da sua atividade. Entre essas entidades podem destacar-se efetivamente as Associações e Núcleos Empresariais, os Centros de Investigação (CEVALOR - Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais, ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, CEFAGE – Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia, CITI – Centro de Investigação em Tecnologias de Informação, Centro de Ecologia e Ambiente, etc.), os Gabinetes de Apoio ao Desenvolvimento Económico (GADE’s, rede coordenada pela CIMAC com apoio da ADRAL), a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL) e a Universidade de Évora.

A história recente da Região Alentejo revela uma economia baseada predominantemente na agricultura, apresentando nos últimos anos uma evolução tendente à supremacia do setor terciário, relegando o setor primário para um plano inferior no conjunto dos três principais setores de atividade. Globalmente, é o setor terciário que mais contribui para o valor acrescentado bruto (VAB) regional. Ainda assim, o setor primário continua a deter na Região Alentejo uma importância muito superior à média nacional, pelo que o padrão de especialização regional continua a ser globalmente marcado pela relevância da produção agrícola. Registam-se nos dias de hoje algumas mudanças substanciais como a diminuição do número de explorações (na sequência de um processo de concentração da propriedade) e a concretização de investimentos geradores de importantes efeitos multiplicadores, tendo no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) o seu melhor exemplo.

No Alentejo Central, a tendência é muito similar à da região onde se integra. O setor agrícola foi tradicionalmente aquele que mais população empregou, tendo-se constatado nos últimos anos uma inversão que tem levado a uma diminuição da importância do setor primário com um reforço, em paralelo, do setor terciário.

A nível da agricultura, destacam-se hoje em dia alguns segmentos que marcam pela diferença e que transmitem uma ideia de qualidade e de tradição. Estão nesta situação os setores de transformação das carnes e do leite, de produção de azeites e vinhos, que têm primado pela qualidade e pela sua cada vez maior capacidade de projeção a nível nacional e internacional. Estes grandes setores detêm uma mais-valia centrada essencialmente na área da produção, existindo já alguma experiência demonstrada e ligação às atividades de Investigação e Desenvolvimento, caracterizando-se pela introdução de tecnologia na produção e de saber fazer tradicional na área da transformação.

Ainda no setor primário deve realçar a importância relativa do setor extrativo, com particular incidência para a Pedra Natural na designada zona dos mármores – Vila Viçosa/Borba/Estremoz/Alandroal, quer em termos do contributo para o PIB regional quer do emprego gerados.

Estes setores têm conseguido apostar na inovação, quer do produto, quer do processo, colocando-se-lhes hoje em dia alguns desafios e oportunidades que passam essencialmente pelo seu fortalecimento a nível de promoção e marketing, bem como de associativismo.

Na indústria, identificam-se novas tendências nos anos mais recentes, dando mostras de um maior dinamismo no setor. Entre os aspetos mais significativos, destacam-se a emergência de novos nichos de especialização produtiva e o aparecimento de investimentos potenciadores do aprofundamento de novas fileiras, como sejam a indústria aeronáutica e a indústria de fabrico de componentes elétricos/eletrónicos. Também o setor agroalimentar, com destaque para a produção dos vinhos alentejanos, tem possibilitado uma maior projeção nacional e internacional da Região Alentejo.

A nível do setor terciário, a Administração Pública tem um peso relativo superior no Alentejo comparativamente com os valores nacionais. Inclusive, em alguns concelhos, as autarquias surgem como os maiores empregadores, devido ao escasso dinamismo empresarial. A discrepância entre o panorama regional e nacional é mais visível nos serviços de maior valor acrescentado, como é o caso das atividades financeiras e dos serviços prestados às empresas: o peso relativo das atividades financeiras no VAB (Valor Acrescentado Bruto) nacional é de 6,3%, ao passo que na região se cifra em 3,0%; as atividades imobiliárias e os serviços prestados às empresas representam apenas 6,8% do VAB regional (13,1% a nível nacional). Estes números confirmam a reduzida “densidade empresarial” da região e a escassez de serviços de suporte ao desenvolvimento e inovação do tecido económico. Além do setor primário, o perfil de especialização produtiva do Alentejo estrutura-se em torno dos serviços de carácter não transacionável (como educação, administração pública e ação social), evidenciando-se uma “sub-representação” dos serviços de apoio à atividade económica.

A leitura de alguns indicadores de natureza económica permite-nos confirmar as afirmações acima mencionadas.

Em relação ao VAB – Valor Acrescentado Bruto, o Alentejo Central apresenta um comportamento mais favorável que o das restantes sub-regiões posicionando-se, em 2009, no segundo lugar no ranking destas sub-regiões.

Evolução do VAB na NUTS III Alentejo Central por setor de atividade, em milhões de Euros


Fonte: Contas Regionais, INE

A evolução do VAB ao longo dos últimos anos destaca sobretudo a evolução relativa do setor dos serviços. Efetivamente, entre o ano 2006 e o ano 2009, o reforço do VAB associado ao setor terciário, concomitantemente com a paralisação e até decréscimo dos setores secundário e primário, levam-nos a concluir que o setor dos serviços ocupa, cada vez mais, um papel preponderante no incremento da competitividade regional. O Alentejo Central segue a tendência verificada para o conjunto da Região Alentejo, em que o setor primário exerce um papel cada vez menos relevante a nível da economia desta sub-região. Quanto ao setor secundário, este tem vindo a sofrer das oscilações da envolvente económica que têm originado um decréscimo do setor industrial, assim como da sua dinâmica e importância no quadro económico global.

A análise da estrutura do emprego na Região Alentejo, por sub-regiões, corrobora estas afirmações. O Alentejo Central segue a tendência geral das outras NUTS III, embora o setor terciário se destaque mais fortemente nesta sub-região. Este facto poderá estar relacionado com o facto de em Évora se concentrarem as Direções Regionais dos serviços centrais do Estado, que empregam uma grande fatia da população. Excetuando a Lezíria do Tejo é no Alentejo Central que o setor terciário emprega mais população.

A indústria assume-se como o segundo grande empregador no Alentejo Central, largamente concentrada nos concelhos de Évora, Vendas Novas e nos municípios que configuram a zona dos mármores (Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Alandroal).

O setor primário deixou de ter, nas últimas décadas, a importância relativa que durante muitos anos caracterizou a Região Alentejo. Com efeito, apesar de empregar ainda alguma população, o setor primário enferma de algumas debilidades, constituindo-se cada vez mais como o setor que menos população residente emprega.

Estrutura do emprego na Região Alentejo, por NUTS III, em 2009


Fonte: INE, Contas Regionais, 2011

Uma análise mais fina no que se refere à categorização das empresas em termos da subclasse CAE a que pertencem, permite verificar esta tendência. Esta análise permite ainda perceber que no Alentejo Central, em 2010, as empresas da classe comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos são as mais numerosas, representando 21% das empresas sedeadas na NUT.

Deve ainda relevar-se, em termos de representatividade nesta unidade territorial a predominância das empresas agrícolas, de produção animal, caça, floresta e pesca (16%), seguem-se por ordem de importância as empresas da classe Alojamento, restauração e similares e de atividades administrativas e dos serviços de apoio (com 9% cada), e as das atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (8%) do total de empresas).

Nº de Empresas, por localização geográfica e atividade (subclasse - CAE Rev.3), 2010

​Atividade económica (subclasse- CAE Rev.3)
​Alentejo​Alentejo Litoral
​Alto Alentejo
Alentejo Central
​Baixo Alentejo
​Lezíria do Tejo
​Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca
​14.237​2.675​1.9553.214​3.276​3.117
​Indústrias extrativas
​187​12​1362​8​92
​Indústrias transformadoras
​4.545​486​6471.168​712​1.532
​Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio
​18​4​51​5​3
​Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos e despoluição
​85​14​718​12​34
​Construção​6.205​936​833​1.471​964​2.001
​Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos
​18.385​2.388​2.6594.196​2.944​6.198
​Transportes e armazenagem
​1.623​194​252​354​213​610
​Alojamento, restauração e similares
​7.339​1.2001.2211.727​1.400​1.791
​Atividades de informação e de comunicação
​513​56​64​127​60​206
​Atividades imobiliárias
​1.173​190​110​296​131​446
​Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares
​5.779​665​8611.544​833​1.876
​Atividades administrativas e dos serviços de apoio
​7.598​1.089​873​1.837​1.100​2.699
​Educação​4.315​472​639​1.079​856​1.269
​Atividades de saúde humana e apoio social
​4.013​442​5961.058​600​1.317
​Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas
​1.586​152​255​428​205​546
​Outras atividades de serviços
​3.852​579​559​943​547​1.224

Fonte: INE, Estatísticas Territoriais, 2011

Para além da óbvia terciarização da economia, no Alentejo Central, os dados atrás expostos permitem ainda detetar alguns setores de atividade cuja relevância para a dinamização económica do território releva em termos da sua competitividade relativa.

Deve assim salientar-se a importância crescente de setores como o turismo, a pedra natural (extração e transformação), não se devendo ainda desvalorizar a importância relativa e potencial de crescimento detido pelo setor agrícola na Região.

A Região Alentejo no seu conjunto apresenta um elevado potencial em termos de dinamização turística que no caso do Alentejo Central aparece bastante relacionada com a fruição de Património, como é o caso do Centro Histórico de Évora (Património Mundial da Humanidade) e de Monsaraz.

A sub-região revela uma capacidade de alojamento bastante satisfatória quer em termos do número quer da qualidade da oferta. De acordo com o Estudo “O Turismo em 2011” disponibilizado pelo Turismo de Portugal, a NUTS II Alentejo  alcançou os 63 milhões de euros de proveitos totais nos estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos e apartamentos turísticos, valores que representam um aumento de 7,8% face a 2010. A Região Alentejo atraiu 718 mil hóspedes em 2011, os quais deram origem a aproximadamente 1.240 mil dormidas, indicadores que registaram aumentos da ordem dos 3% e 6% face a 2010, designadamente com mais 21 mil hóspedes e mais 71 mil dormidas em valores absolutos. Apesar de os aumentos não serem tão significativos comparativamente a anos anteriores, e levando em consideração atual conjuntura, os resultados podem ser considerados bastante satisfatórios.

O principal desafio colocado à atividade turística na região parece ser o do aumento do tempo de estadia média dos visitantes no território, que não é ainda satisfatório, constrangimento que poderá ser ultrapassado através da dinamização e valorização da oferta turística, apelando aos fatores distintivos do território, nomeadamente pela aposta na consolidação do produto Touring e dos Circuitos Turísticos, o Turismo de Natureza e o Turismo Náutico. No que respeita ao Alentejo Central o produto Gastronomia e Vinhos encontra também especial potencial de desenvolvimento endógeno.

Capacidade de alojamento (nº) nos estabelecimentos hoteleiros por localização geográfica e tipo (estabelecimento hoteleiro); 2009

​Localização geográfica (NUTS - 2002
Alentejo​
Alentejo Litoral​Alto Alentejo
Alentejo Central
​Baixo Alentejo
​Lezíria do Tejo
​Estabelecimentos Hoteleiros
​10.591​3.2111.950​2.885​1.432​1.113​
​Hotéis​4.355​481​1.246​1.503​659​466
​Pensões​3.314​1.030​453​849​484​498
​Estalagens​434​0​87​116​99​132
​Pousadas​706​140​112344​110​0
​Motéis​17​0​0​0​017​
​Hotéis-apartamentos​1.262​1.2020​0​60​0​
​Aldeamentos turísticos
​141​68​0​73​0​0
​Apartamentos turísticos
​362​290​52​0​200​

Fonte: INE, Estatísticas Territoriais, 2010

Já o setor agrícola votado nas últimas décadas a alguma estagnação parece ter encontrado na fileira agroalimentar uma proposta de revitalização, aparecendo os vinhos, azeites e produtos tradicionais de qualidade (como os enchidos e os queijos), como atividades com potencial de internacionalização e sustentáculo da atividade económica regional. Este movimento ocorre a par de uma tendência de regresso à atividade agrícola e ao mundo rural por parte de empresários mais qualificados e inovadores que têm vindo a transformar o setor na região, adaptando-o a mercados mais exigentes.

A par destes setores ditos tradicionais a sub-região tem atraído investimentos relevantes em setores emergentes como a aeronáutica e as tecnologias da informação e comunicação, com unidades de produção recentemente localizadas em Évora.

Para a análise da competitividade da unidade territorial releva ainda a avaliação da capacidade inovadora enquanto dimensão chave de análise do seu potencial competitivo e de crescimento na economia global. Vários indicadores são usualmente considerados para medir essa capacidade, tanto no quadro da Sociedade de Informação como do desenvolvimento científico e tecnológico.

O Alentejo revela, em 2010 indicadores de I&D - Investigação e Desenvolvimento, aquém da média nacional, sendo a penúltima no ranking das NUT III da Região no que se refere aos indicadores de despesa de I&D nas empresas e no estado. Ainda assim, deverão ser tidos em conta os esforços realizados pela sob região Alentejo Central que apresenta uma Despesa Média em I&D por Unidade bastante superior à da Região, como se verifica no Gráfico abaixo.

Indicadores de Investigação & Desenvolvimento, 2010


Fonte: INE, Anuário Estatística da Região Alentejo, 2011

A análise do grau de utilização das TIC e da aposta em fatores de inovação por parte do tecido empresarial a nível sub-regional é possibilitada pelos resultados do Estudo “Inovação e TIC na Região Alentejo: Novos Perfis Profissionais”.

A informação disponível permite revelar uma relativa banalização do uso das TIC pelas empresas do Alentejo. Com efeito, cerca de 80% das empresas possuía um ou mais computadores, no Alentejo em 2006, sendo esta percentagem mais ou menos homogénea quando se tem em conta os dados distribuídos pelas NUTS III.

É todavia na sub-região Alentejo Central que um maior número de microempresas faz recurso à utilização de computador, a julgar pelos dados retirados do estudo acima referido.

Ao nível das atividades de transporte, armazenagem, energia e água, extração e serviços financeiros, constata-se que 100% das empresas sedeadas no Alentejo Central recorrem à utilização de computadores, sendo o alojamento e restauração o setor onde as empresas menos recorrem à utilização de computadores (47%), seguido do comércio por grosso e retalho (69%). Esta situação pode ter origem na reduzida dimensão das empresas em questão e também no baixo nível de instrução dos empresários, que origina baixos níveis de sensibilização e de consciencialização relativamente às TIC.

Ainda de acordo com o Estudo Inovação e TIC na Região Alentejo: Novos Perfis Profissionais que temos vindo a citar, no que concerne às atividades ligadas à inovação empresarial e ao investimento das empresas em I&D, é nos setores da prestação de serviços às empresas, indústria transformadora e transportes que maior número de empresas desenvolve atividades de cariz inovador.

A nível dos setores de atividade em que as empresas apresentam maior intensidade no desenvolvimento de inovação, destacam-se no Alentejo Central as que trabalham nos setores dos transportes, armazenamento e comunicações, sendo igualmente de destacar as empresas de prestação de serviços e outras empresas da indústria transformadora. Os setores referidos experimentam rápidas mutações no seu mercado, pelo que exigem igualmente respostas mais céleres dos empresários. Estas necessidades de adaptação às condições do mercado levam-nos a apostar no desenvolvimento de atividades de inovação que apoiem processos de melhoria a nível dos produtos e serviços prestados, assim como ao nível da resposta mais eficiente e eficaz às exigências dos seus clientes.

Empresas com Atividades Inovadoras, 2008-2010 (%)

Fonte: INE, Anuário Estatística da Região Alentejo, 2011

Tendo por base o conceito de inovação visto em sentido lato, o que significa sumariamente que as atividades de inovação incidem não só em melhorias nos serviços ou produtos, mas também sobre processos de produção e organização da empresa, pode referir-se que segundo INE, o Alentejo tinha em 2010 uma percentagem de empresas inovadoras semelhante à considerada para o país e que rondava os cerca de 60%.

Este quadro já não parece tão favorável quando se considera o volume de negócios resultante da venda de novos produtos. Neste caso, e como se percebe da figura abaixo, a Região Alentejo, apresenta valores bastante inferiores aos da média nacional, ficando mesmo em último lugar no ranking das regiões portuguesas.

Volume de Negócios resultante da venda de novos produtos, 2008-2010 (%)


Fonte: INE, Anuário Estatística da Região Alentejo

No mundo empresarial atual, caracterizado por rápidas mutações, e integrado num mercado cada vez mais global, a inovação demonstra ser cada vez mais a causa do sucesso de uma determinada empresa. Por esta razão, torna-se cada vez mais importante para os empresários a criação de fatores de diferenciação da empresa face aos restantes que operam no mercado, por forma a adquirir vantagens competitivas.

No entanto, nem todas as empresas apresentam capacidade imediata de inovação, por razões variadas que se prendem com a pequena dimensão das empresas, os custos associados, a dificuldade de estabelecimento de parcerias com entidades especializadas em atividades de I&D.

De destacar que, para as empresas sedeadas no Alentejo Central, os principais obstáculos à inovação estão essencialmente associados aos elevados custos, bem como à inexistência de fontes de financiamento adequadas à implementação deste tipo de ações, designadamente no caso de muito pequenas empresas.

A recente formalização do Parque de Ciência e Tecnologia a construir em Évora enquanto infraestrutura facilitadora da inovação e da transferência de conhecimento e I&D ao tecido empresarial pode neste sentido vir a revelar-se como uma mais-valia para ultrapassar algumas destas dificuldades, possibilitando a constituição de Redes de Conhecimento mas também de produção e comercialização que permitam não apenas a assimilação de tecnologia e inovação, como a geração de novas empresas de I&D intensivo e forte potencial de crescimento na sub-região.

Finalmente, e ainda que se tenham já realizado avanços relevantes nesta área, continua a verificar-se na Região Alentejo a necessidade de modernização da Administração Pública, nos níveis regional e local, nomeadamente na sua relação com os cidadãos e as empresas, no intuito de aquela se tornar mais ágil, flexível e transparente. Trata-se ainda de um fator negativo de localização de atividades no Alentejo Central – ainda que a situação não seja diferente da maioria das regiões da Região e do País – que urge ultrapassar, para que a Administração passe a ser uma externalidade positiva para as empresas e, assim, uma vantagem competitiva da sub-região.

Este esforço de modernização da Administração deverá ser acompanhado pela adoção massiva das tecnologias de informação e comunicação, as quais permitem a desburocratização e simplificação de procedimentos, a criação de serviços on-line, a redução dos tempos de resposta, entre outros, sobretudo na criação de políticas de incentivo à sua efetiva utilização pelos cidadãos e à integração de serviços e informação disponível aos diversos níveis da administração.

A qualificação dos recursos humanos da Administração e a cooperação institucional (intra e inter-regional) são dois fatores fundamentais no sucesso deste empreendimento.

© 2014 - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central Termos de Responsabilidades Condições de Privacidade made by |create| it |