Demografia

População e Recursos Humanos

Distribuição Demográfica do Alentejo Central

​A região Alentejo constitui-se como a maior região de Portugal em termos territoriais - com uma área total de 31.551 Km2 - mas é simultaneamente a região com menor densidade populacional: apenas 24 habitantes por Km2 (por contraste com 112,8 no Continente), residentes, na sua maioria, em lugares até 5.000 habitantes. A NUT III Alentejo Central apresenta neste contexto um valor semelhante à média regional (23,1 hab/Km2), ainda que acima das outras sub-regiões “tradicionais” alentejanas.

Densidade Populacional na Região Alentejo (NUTS II e NUTS III) por comparação ao país, 2011


Fonte: INE, Censos 2011

A evolução da densidade populacional nos últimos anos pauta-se por uma tendência descendente em todas as NUTS III do Alentejo. Este facto confirma o fenómeno de desertificação vivido na Região Alentejo desde a década de 70. A implementação de estratégias, programas e ações direcionadas para o desenvolvimento socioeconómico, ainda que apresentem alguns resultados ao nível da sub-região Alentejo Central, não têm no entanto sido suficientes para inverter esta tendência.

Ainda assim, o Alentejo Central é desde 1981, a sub-região com mais população residente no chamado "Alentejo Tradicional", que não inclui a NUT III Lezíria do Tejo.

Dentro do contexto regional, o Alentejo Central tem vindo a caracterizar-se por um comportamento relativamente positivo em termos populacionais. No entanto, a tendência para a perda populacional é marcante e, se entre 1991 e 2001, a sub-região tinha conseguido desacelerar esta tendência (graças a um saldo migratório positivo), os resultados dos últimos censos revelam uma aceleração da quebra populacional, tendo o Alentejo Central perdido 4% da sua população na última década e registado um saldo natural e migratório negativos.

Olhando para os concelhos que integram esta sub-região, verifica-se que aqueles que apresentam maior número de habitantes em 2011 são, por ordem crescente, Estremoz, Montemor-o-Novo e Évora, destacando-se Mourão como o menos populoso e também o que mais população perdeu (-17,6%) entre os dois exercícios censitários (é um dos 10 concelhos a nível nacional onde esta perda populacional é mais significativa).

Dentro da tendência de quebra populacional, destaque para os municípios de Évora e Vendas Novas, cuja população continuou a aumentar, mantendo uma tendência já verificada, ainda que a um ritmo muito menor do que o ocorrido na década anterior. Estremoz, que tinha visto a sua população crescer 1,36% em 2001, regista agora uma quebra significativa de 8,64%. O município de Viana do Alentejo vê pela primeira vez nos últimos 20 anos, a sua população aumentar em 2,28%.

Variação da população residente nos concelhos do Alentejo Central

Concelho
População Residente 1991​População Residente 2001​Variação (%) (1991-2001)​População Residente 2011​Variação (%) (2001-2011)​
​Alandroal​7.3476.585​-10,37​5.843​-11,27​
​Arraiolos​8.207​7.616-7,20​7.363​-3,32​
​Borba​8.2547.782​-5,72​7.333​-5,77​
​Estremoz​15.461​15.6721,36​14.318​-8,64
​Évora​53.754​56.5195,14​56.5960,14
​Montemor-o-Novo​18.632​18.578​-0,29​17.437​-6,14
​Mourão​3.273​3.230-1,31​2.663​-17,55​
​Portel​7.525​7.109​-5,536.428​-9,58​
​Redondo​7.948​7.288​-8,307.031​-3,53​
​Reguengos de Monsaraz
​11.40111.382​-0,17​10.828​-4,87​
​Vendas Novas
​10.476​11.61910,91​11.846​1,95
​Viana do Alentejo
​5.720​5.615​-1,84​5.7432,28​
​Vila Viçosa
​9.068​8.871​-2,17​8.319-6,22​
​Mora​6.588​5.788-12,14​4.978​-13,99​

Fonte: INE, Censos 1991, 2001 e 2011

Constata-se assim que as dinâmicas populacionais de crescimento nalguns dos concelhos da sub-região não são suficientes para originar um crescimento positivo.

Variação da população residente 1991/2011


Fonte: INE, Censos 1991, 2011

Ao nível das freguesias e tendo por base os dois momentos censitários, há também a destacar o comportamento positivo de algumas freguesias predominantemente rurais que em 20 anos (1991-2011) apresentam dinâmicas positivas, cujas razões valerá eventualmente a pena ponderar. É o caso da Igrejinha (+13%), dos Canaviais (+75%), de Foros de Vale de Figueira (+10%) ou de Aguiar (+28%).

Variação da população 2001-2011

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

Relativamente à distribuição da população residente por sexo, em 2011, comprova-se a existência de uma maior proporção de mulheres em todas as NUTS III do Alentejo. Em termos percentuais, a proporção de mulheres na estrutura populacional do Alentejo Central é de 52%, à semelhança do que acontece em todo o país.

Ainda a nível dos indicadores demográficos, a comparação da evolução da taxa de fecundidade no Continente e na região Alentejo atesta uma tendência de decréscimo gradual ao longo dos últimos 20 anos. Este é um fenómeno que se tem vindo a acentuar sobretudo nas últimas décadas e que é explicado quer pelo ingresso cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, quer pela modificação das estruturas de nível familiar resultante das alterações nos padrões de povoamento e da consequente concentração da população nos centros urbanos em detrimento do meio rural.

Fazendo uma comparação entre a região Alentejo e as NUTS III que o compõem, verifica-se que o Alentejo Central apresenta a taxa de fecundidade mais baixa da região em 2010 (36,4‰), distanciando-se da média nacional (39,8‰).

Uma vez que o saldo natural da região Alentejo tem evoluído de forma negativa, com exceção da Lezíria do Tejo, os movimentos migratórios assumem importância no que diz respeito ao crescimento populacional da região e respetivas NUTS III, uma vez que minoram os efeitos associados ao decréscimo da fecundidade e possibilitam, nalguns casos, a existência de saldos de crescimento populacional positivos para as respetivas regiões.

Apesar de o Alentejo não ser a região de Portugal que importa mais população estrangeira, ainda assim esta apresenta alguma expressão que não deve ser menosprezada. Dos cerca de 27.000 residentes estrangeiros na região Alentejo, 22% residiam no Alentejo Central, representando 2,5% da população residente. O Alentejo Litoral é a sub-região que menos absorve população estrangeira (13% do total na região) mas onde ela representa 6,5% da população total (acima da média nacional).

População estrangeira residente na Região Alentejo, por NUTS III, 2011


Fonte: INE, Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2011

O envelhecimento populacional é uma realidade em Portugal e, de uma forma mais acentuada, em toda a região Alentejo, sendo em 2011 a região mais envelhecida do país. O Alentejo Central apresenta um índice de envelhecimento superior ao da média regional, sobretudo em função do acentuado declínio da taxa de fecundidade, o que se constitui como um fator negativo e preocupante para o seu desenvolvimento. Em 2011, por cada 100 jovens no Alentejo Central, existiam 184 idosos. Esta evolução desfavorável começou por ser um reflexo dos fenómenos migratórios, sendo hoje em dia resultado de fatores endógenos, tais como o crescimento natural negativo e a incapacidade de atração de população.

Índice de envelhecimento populacional no Alentejo Central, 2011


Fonte: INE, Censos, 2011

O Alentejo Central é a NUT III com mais população ativa de toda a região, excluindo a Lezíria do Tejo, facto que poderá estar ligado ao facto de ser a sub-região com mais população residente mas também à sua dinâmica económica e empresarial, à sua localização geoestratégica, bem como à crescente tendência de entrada de mão-de-obra feminina no mercado de trabalho, consequência do aumento de escolaridade desta população.

Esta maior participação da mulher no mercado de trabalho é no entanto acompanhada de um aumento do risco de desemprego neste grupo. No primeiro trimestre de 2013 registou-se um aumento da taxa de desemprego que se deveu sobretudo a um aumento substancial do desemprego feminino.

População ativa nas NUT III da região Alentejo, 2011


Fonte: INE, Censos, 2011

A taxa de atividade do Alentejo Central era em 2011 de 45,9%, ligeiramente abaixo da média nacional (47,6%). No que respeita aos concelhos do Alentejo Central, os que apresentam valores acima da média sub-regional são Arraiolos e Évora (portanto com maior disponibilidade de ativos), e no sentido inverso, os municípios de Alandroal e Mourão apresentam uma taxa de atividade muito abaixo da média sub-regional. São também estes dois municípios que registam as taxas de desemprego mais elevadas da sub-região em 2011, com 15,62% e 22,85% respetivamente, muito acima da taxa de nacional que rondava os 13,18% nesta altura. Os municípios de Arraiolos, Montemor-o-Novo, Vendas Novas e Viana do Alentejo são os que registavam as taxas de desemprego mais baixas no conjunto da sub-região (2011).

Taxa de desemprego por local, 2011

​LocalTaxa desemprego (%)​
​Portugal​13,18
​Continente13,19​
​Alentejo12,83​
​Alentejo Central
11,19​
​Alandroal15,62​
​Arraiolos9,99​
​Borba13,99​
​Estremoz10,92​
​Évora10,58​
​Montemor-o-Novo8,28​
​Mourão22,85​
​Portel15,35​
​Redondo12,73​
​Reguengos de Monsaraz
13,34​
​Vendas Novas
​8,49
​Viana do Alentejo
9,64​
​Vila Viçosa
11,62​
​Mora13,51​

Fonte: INE, Censos, 2011

O atual contexto de crise precipitou entretanto uma alteração profunda nesta taxa, que foi crescente ao longo de 2012 e 2013. No 4º trimestre de 2013 a taxa de desemprego nacional estimada atingiu os 15,3% e no Alentejo os 15,5%, de acordo com o inquérito ao emprego do INE.

Taxa de Desemprego, Alentejo e Portugal 2009-2013


Fonte: Inquérito ao Emprego, INE

Uma análise realizada ao desemprego registado pelo IEFP, em Dezembro de 2013, permite perceber que o fenómeno do desemprego afeta de forma bastante diferenciada os diferentes concelhos do Alentejo Central. No concelho de Évora, estavam inscritos no mês de Dezembro 2013 3.720 indivíduos, sendo o grupo etário entre os 35 e os 54 anos o mais afetado.

Desemprego Registado por concelho segundo o Grupo Etário (2013)


Fonte: IEFP Estatísticas Mensais do Desemprego, Dezembro de 2013

Quando analisada a evolução do desemprego nos concelhos do Distrito de Évora entre 2009 e 2013 e considerando as médias mensais, constatam-se aumentos superiores a 25% em todos os municípios, atingindo variações acima de 60% em municípios como Borba (+60,6%), Vila Viçosa (+61,7%), Arraiolos (+65,5%), Estremoz (+84,4%) ou Mourão (+151,7%).

Evolução do desemprego registado (média mensal) nos concelhos do Distrito de Évora 2009-2013


Fonte: IEFP Estatísticas mensais do Mercado de Emprego 2009-2013

Entre as principais condicionantes que marcam o ajustamento entre a oferta e a procura de emprego, sobressai a divergência entre as competências exigidas pelas entidades empregadoras e as detidas pelos candidatos a emprego (escolaridade, qualificações, experiência profissional), a que acresce o facto das condições propostas serem frequentemente consideradas pouco atrativas pelos trabalhadores (ex: salários, horários, oportunidades de qualificação e de progressão na carreira, rede de transporte, alojamento, etc.).

A análise do grau de instrução no Alentejo Central revela uma distribuição muito próxima da distribuição a nível nacional. O nível de instrução predominante na sub-região é o Ensino Básico, abrangendo 55% da população total. É de destacar, igualmente, a percentagem de população que não adquiriu qualquer grau de ensino, que é, nesta sub-região, equivalente a 12% dos residentes (8% no país). 13% Da população detém grau de instrução superior e destes 60% são mulheres, também à semelhança da média nacional.

População residente no Alentejo Central segundo o nível de instrução atingido, por comparação à média nacional, 2011


Fonte: INE, Censos 2011

Finalmente, em relação ao acesso e utilização de novas tecnologias, o Alentejo continua com níveis inferiores relativamente ao resto do país e a todas as outras regiões do continente. Apenas no que diz respeito à utilização de telemóvel e de caixa automática multibanco a percentagem de indivíduos se revela superior face a outras regiões e muito próxima da média nacional. A estrutura da população portuguesa em termos de envelhecimento e iliteracia que, ao nível do Alentejo apresenta valores ainda mais preocupantes, pode justificar em parte esta realidade. Comparando estes dados com os referentes a 2006, verificamos contudo uma evolução positiva em todos os indicadores, sobretudo na ligação à internet (subiu de 27% para 58%) e no acesso à banda larga (subiu de 16% para 48%), fruto dos investimentos feitos na região a este nível.

Indicadores da Sociedade de Informação, por NUTS II, 2011

Agregados Domésticos (%)​ ​ ​​Indivíduos (%)
​ ​ ​
​Acesso a Computador (inclui computador de bolso)
Ligação à internet
​Ligação à internet através de banda larga
Utilização de Computador
Utilização da Internet
​Utilização de Telemóvel
​Utilização de caixa automática (Multibanco)
​Portugal​63,7​58,0​56,6​58,2​55,3​92,1​75,8
​Continente​63,8​58,0​56,6​58,4​55,5​92,1​76,1
​Norte​62,8​55,1​53,3​53,3​49,8​90,8​71,2
​Centro​58,7​52,5​50,7​54,1​50,7​90,7​75,4
​Lisboa​71,4​68,0​67,2​70,1​68,2​95,0​83,6
​Alentejo53,6
48,848,051,749,191,874,0
​Algarve​63,1​58,3​57,1​61,9​58,7​93,2​76,6

Fonte: INE, Anuário Estatístico Região Alentejo. 2011



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